US=983 / Tese/FAP
Pineda PHB. Avaliação molecular de lesões pré-invasivas de carcinoma ductal de mama para detectar candidatos a biomarcadores de predição de progressão de carcinoma ductal in situ. [Molecular assessment of preinvasive lesions of breast ductal carcinoma for detecting potential biomarkers of ductal carcinoma in situ progression]. Dirce Maria Carraro. São Paulo, 2022. 98 p. Tese(Doutorado)-Fundação Antonio Prudente.
Resumo:
INTRODUÇÃO: O câncer de mama é o tipo de câncer mais frequente na população feminina mundial. Cerca de 75% dos pacientes são do tipo carcinoma ductal, podendo se apresentar como carcinoma ductal in situ (CDIS puro) ou carcinoma mamário invasivo tipo não especial (CMI-TNE), sendo que este último pode conter o componente in situ associado (componente in situ de CMI-TNE). O número de pacientes de CDIS diagnosticados tem aumentado nas últimas décadas devido aos programas de rastreamento, estimulando a busca por biomarcadores capazes de estratificar adequadamente as lesões com maior ou menor risco de progredir ou recidivar, e consequentemente poupar as pacientes com menor risco do tratamento convencional, atualmente considerado excessivo para essas pacientes. OBJETIVO: Assim, o objetivo do presente estudo foi caracterizar molecularmente lesões pré-invasivas de carcinoma ductal de mama a fim de identificar candidatos a biomarcadores de predição de progressão ou recidiva de CDIS. METODOLOGIA: Amostras de RNA amplificado de células epiteliais neoplásicas e mioepiteliais capturadas por microdissecção a laser dos dois grupos de lesões pré-invasivas (CDIS puro e componente in situ de CMI-TNE) foram submetidas a uma análise de expressão gênica com ensaios TLDA customizados e o perfil de expressão dos genes diferencialmente expressos (GDE) (fold change ≥ 2) foi submetido a uma análise de clusterização para avaliar a capacidade em distinguir os dois tipos de lesões pré-invasivas. Na análise mutacional, dois painéis multigenes (409 genes inteiros e regiões hotspots de 50 genes) foram utilizados no sequenciamento de DNA (plataforma Ion Torrent) de uma casuística composta por pacientes com laudo anatomopatológico de CDIS puro na biópsia e que apresentaram diferentes desfechos: grupo 1 - diagnóstico de CDIS puro na biópsia e peça cirúrgica e que não manifestaram progressão ou recidiva da doença num período mínimo de 3 anos de seguimento; grupo 2 - CDIS puro na biópsia e que foi subdividido em dois subgrupos: grupo 2.1 - diagnóstico de CMI-TNE com componente in situ na peça cirúrgica; grupo 2.2 - diagnóstico de CDIS puro na peça cirúrgica também e que apresentaram progressão ou recidiva da doença no período de seguimento. RESULTADOS: Na análise de expressão gênica foram analisados 11 pacientes representados por 15 amostras de células epiteliais neoplásicas ou mioepiteliais (5 CDIS puro e 10 componente in situ de CMI-TNE). Confirmamos a diferença de expressão de 49% (26/53) dos genes analisados. O perfil de expressão de 12 genes (ANAPC13, BAALC, DNAJB6, ERCC8, FLCN, NCF4, RARRES3, RBM47, REC8, RRP1, SRA1 e TMEM45A) foi capaz de discriminar 80% (4/5) das amostras de CDIS puro de 100% (10/10) das amostras de componente in situ de CMI-TNE. Na análise mutacional foram avaliados 34 pacientes (43 amostras) divididos em dois grupos. O grupo 1 (CDIS sem progressão) com 20 pacientes e o grupo 2 (CDIS com progressão) com 14 pacientes, sendo que no grupo 2.1 e 2.2 foram 7 pacientes cada. Dos 34 pacientes, 23 pacientes tiveram 29 amostras com sequenciamento qualificado para a análise mutacional (15 e 8 pacientes dos grupos 1 e 2, respectivamente). Dos 23 pacientes, 16 apresentaram variantes potencialmente somáticas, 53% (8/15) e 100% (8/8) dos grupos 1 e 2, respectivamente. Das 106 variantes potencialmente somáticas detectadas, 45 foram em 40 oncogenes ou genes supressores tumorais, os quais apresentaram variantes oncogênicas ou provavelmente oncogênicas em 33% (5/15) e 75% (6/8) dos grupos 1 e 2, respectivamente. Variantes potencialmente somáticas no gene TP53 foram identificadas em 6,6% (1/15) e 25% (2/8) dos grupos 1 e 2, respectivamente; e em PIK3CA em 0% e 25% (2/8) dos grupos 1 e 2, respectivamente. CONCLUSÃO: A assinatura gênica baseada nos 12 genes tem potencial de predizer a progressão de CDIS para a doença invasiva. Além disso, variantes oncogênicas em oncogenes e genes supressores de tumor foram identificadas em maior frequência nos pacientes com diagnóstico de CDIS puro na biópsia e que sofreram progressão/recidiva ou discordância com o diagnóstico da peça cirúrgica..
Notas de conteúdo: